A obrigatoriedade de cobertura de medicamentos essenciais pelos planos de saúde é um tema de grande relevância no cenário atual da saúde suplementar no Brasil.
Sumário
ToggleRecentemente, a São Lucas Saúde S/A se viu compelida a fornecer o medicamento Tremfya (Guselcumabe) para o tratamento de psoríase grave de um de seus beneficiários.
Esta decisão reafirma o compromisso do sistema judiciário em garantir o acesso a tratamentos médicos necessários, mesmo quando não explicitamente listados nos contratos de planos de saúde.
O Caso da São Lucas Saúde e o Fornecimento do Tremfya
O caso em questão envolve um consumidor diagnosticado com psoríase grave, uma condição dermatológica crônica e potencialmente debilitante. Após a falha de tratamentos convencionais, o médico assistente prescreveu o uso do medicamento Guselcumabe, comercialmente conhecido como Tremfya, na dosagem de 100 mg. No entanto, a São Lucas Saúde S/A inicialmente negou a cobertura do medicamento, levando o beneficiário a buscar seus direitos por via judicial.
A Decisão Judicial Favorável ao Fornecimento do Tremfya
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, ao analisar o caso, decidiu favoravelmente ao consumidor. A decisão, proferida pela 3ª Câmara de Direito Privado, manteve a tutela de urgência concedida em primeira instância, obrigando a São Lucas Saúde a fornecer o medicamento Tremfya no prazo de 5 dias.
Os desembargadores consideraram que estavam presentes os requisitos necessários para a concessão da tutela de urgência, conforme o artigo 300 do Código de Processo Civil. Eles destacaram a existência de elementos que evidenciavam a probabilidade do direito do consumidor e o perigo de dano caso o medicamento não fosse fornecido rapidamente.
Fundamentos da Decisão: Tremfya no Rol da ANS e Diretrizes de Utilização
Um ponto crucial na decisão foi o reconhecimento de que o medicamento Tremfya (Guselcumabe) está incluído no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Esta inclusão ocorreu através da Resolução Normativa n° 536, de 06 de maio de 2022, que alterou a Resolução Normativa n° 465/2021 da ANS.
O tribunal também considerou os laudos médicos apresentados, que descreviam detalhadamente o histórico clínico do consumidor. Estes documentos atestavam que o paciente sofria de psoríase grave há mais de 10 anos e já havia realizado terapias convencionais sem sucesso.
Além disso, a médica assistente afirmou explicitamente que o paciente preenchia todos os critérios estabelecidos pela Diretriz de Utilização (DUT) 65.5 da ANS. Este ponto foi particularmente relevante, pois demonstrou que o uso do Tremfya não era apenas uma preferência médica, mas uma necessidade que se enquadrava nas diretrizes regulatórias.
A Eficácia do Tremfya no Tratamento da Psoríase Grave
O Tremfya (Guselcumabe) é um medicamento imunobiológico aprovado para o tratamento de psoríase em placas moderada a grave em adultos. Ele atua bloqueando uma proteína específica (interleucina-23) que está envolvida no processo inflamatório da psoríase.
Estudos clínicos têm demonstrado a eficácia significativa do Tremfya no controle da psoríase. Muitos pacientes experimentam uma melhora substancial nos sintomas, incluindo redução das placas psoriáticas, diminuição da descamação e alívio do prurido. A eficácia e segurança deste medicamento têm sido amplamente reconhecidas, inclusive pela Anvisa, que aprovou seu uso no Brasil.
A Importância da Cobertura do Tremfya pela São Lucas Saúde
A decisão do tribunal em obrigar a São Lucas Saúde a fornecer o Tremfya ressalta a importância da cobertura de tratamentos avançados pelos planos de saúde. Para pacientes com psoríase grave que não responderam a terapias convencionais, medicamentos como o Tremfya podem representar uma significativa melhora na qualidade de vida.
É importante notar que a psoríase grave não é apenas um problema estético. Ela pode causar dor significativa, limitações físicas e até mesmo impactos psicológicos. Portanto, o acesso a tratamentos eficazes como o Tremfya é crucial para o bem-estar geral dos pacientes.
O Prazo para Fornecimento do Tremfya pela São Lucas Saúde
Um aspecto interessante da decisão foi a manutenção do prazo de 5 dias para que a São Lucas Saúde fornecesse o Tremfya ao consumidor. A operadora argumentou que este prazo seria exíguo, mas o tribunal não acatou este argumento.
Os desembargadores consideraram que, dada a gravidade da situação do paciente, o prazo de cinco dias era razoável para que a São Lucas Saúde garantisse o cumprimento da decisão. Eles ainda observaram que a operadora não apresentou argumentos concretos que demonstrassem a impossibilidade de cumprir a ordem no prazo estipulado.
Esta decisão sobre o prazo destaca a urgência com que casos de saúde graves devem ser tratados, mesmo no âmbito dos planos de saúde privados.
A Súmula 102 do TJSP e sua Aplicação no Caso do Tremfya
Um elemento crucial na fundamentação da decisão foi a aplicação da Súmula 102 do Tribunal de Justiça de São Paulo. Esta súmula estabelece que:
“Havendo expressa indicação médica, é abusiva a negativa de cobertura de custeio de tratamento sob o argumento de sua natureza experimental ou por não estar previsto no rol de procedimentos da ANS.”
No caso em questão, mesmo com o Tremfya já incluído no rol da ANS, a súmula reforçou a obrigatoriedade de sua cobertura pela São Lucas Saúde, dado que havia expressa indicação médica para seu uso.
O Impacto da Decisão sobre o Tremfya para Outros Beneficiários da São Lucas Saúde
A decisão do tribunal em favor do fornecimento do Tremfya pela São Lucas Saúde pode ter implicações significativas para outros beneficiários da operadora que se encontrem em situação semelhante. Ela estabelece um precedente importante que pode ser utilizado em casos futuros.
Beneficiários com psoríase grave que tenham indicação médica para o uso do Tremfya e que se enquadrem nas diretrizes de utilização da ANS poderão se basear nesta decisão para requerer a cobertura do medicamento. Isso pode acelerar o processo de acesso ao tratamento, evitando negativas injustificadas por parte da São Lucas Saúde.
A Importância da Documentação Médica no Caso do Tremfya
Um aspecto que merece destaque neste caso é a importância da documentação médica detalhada. Os laudos médicos apresentados foram cruciais para demonstrar a necessidade do uso do Tremfya e o enquadramento do paciente nas diretrizes de utilização da ANS.
Estes documentos descreveram:
- O histórico de psoríase grave do paciente por mais de 10 anos
- As tentativas prévias de tratamentos convencionais sem sucesso
- O preenchimento dos critérios estabelecidos pela DUT 65.5 da ANS
- O índice de gravidade da psoríase por área (PASI) superior a 10 (no caso, 17,7)
Esta documentação robusta foi fundamental para embasar a decisão judicial, demonstrando a importância de um acompanhamento médico detalhado e bem documentado.
O Papel da ANS na Regulamentação de Medicamentos como o Tremfya
O caso do Tremfya também lança luz sobre o papel crucial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na regulamentação dos planos de saúde. A inclusão do Tremfya no rol da ANS pela Resolução Normativa n° 536, de 06 de maio de 2022, foi um fator determinante para a decisão judicial.
Esta atualização do rol demonstra a importância de manter a lista de procedimentos e medicamentos cobertos pelos planos de saúde em constante revisão. À medida que novos tratamentos eficazes, como o Tremfya, se tornam disponíveis, é crucial que a ANS avalie e inclua esses avanços em seu rol, garantindo que os beneficiários de planos de saúde tenham acesso aos melhores tratamentos disponíveis.
Perspectivas Futuras para a Cobertura do Tremfya e Outros Medicamentos Inovadores
A decisão em favor do fornecimento do Tremfya pela São Lucas Saúde pode ser vista como parte de uma tendência mais ampla no setor de saúde suplementar. Há uma crescente pressão para que os planos de saúde ofereçam cobertura para tratamentos inovadores e mais eficazes, mesmo quando estes representam um custo mais elevado no curto prazo.
No futuro, é possível que vejamos:
- Mais decisões judiciais favoráveis à cobertura de medicamentos inovadores
- Uma atualização mais frequente do rol da ANS
- Uma maior conscientização dos beneficiários sobre seus direitos em relação a tratamentos não convencionais
Esta tendência pode levar a uma melhoria geral na qualidade dos tratamentos oferecidos pelos planos de saúde, beneficiando pacientes com condições complexas como a psoríase grave.
Opinião Especializada sobre o Caso do Tremfya
Marcel Sanches, advogado especialista em Direito Privado e Atuação nos Tribunais Superiores, oferece sua perspectiva sobre o caso: “A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo no caso do fornecimento do Tremfya pela São Lucas Saúde é um marco importante na defesa dos direitos dos consumidores de planos de saúde. Ela reafirma o princípio de que o rol da ANS é exemplificativo e não taxativo, e que a cobertura deve ser baseada na necessidade médica do paciente. Além disso, a decisão ressalta a importância da atualização constante das coberturas oferecidas pelos planos de saúde, em linha com os avanços da medicina. Este caso estabelece um precedente valioso que pode beneficiar muitos outros pacientes em situações semelhantes.”
Buscando Seus Direitos: A Importância de Assessoria Jurídica Especializada
Casos como o do fornecimento do Tremfya pela São Lucas Saúde demonstram a complexidade das questões envolvendo planos de saúde e a importância de buscar assessoria jurídica especializada. Se você está enfrentando uma situação semelhante, com negativa de cobertura para um tratamento ou medicamento necessário, não hesite em buscar ajuda profissional.
A Ls Advogados possui uma equipe de especialistas em direito à saúde, prontos para avaliar seu caso e orientá-lo sobre as melhores estratégias para garantir seus direitos. Clique no botão de WhatsApp e converse agora mesmo com um dos nossos especialistas da Ls Advogados. Não permita que a negativa de um plano de saúde comprometa sua saúde e bem-estar. Busque seus direitos com o apoio de quem entende do assunto.